E-mail: um vício saudável

De Ciberespaço

Em 1995, William J. Mitchell, professor do Massachusetts Institute of Technology, teve uma idéia inovadora: publicar uma versão eletrônica de seu livro City of Bits na Internet, simultaneamente ao lançamento da versão impressa.

Mas a maioria das pessoas até hoje se pergunta: por que comprar um livro que está disponível de graça na Internet? O autor não perdeu dinheiro? O fato é que Mitchell e seus editores perceberam que a versão online era uma excelente forma de propaganda do livro. De fato, eles estavam certos: a versão eletrônica estimulou as vendas da versão impressa, mostrando que a maioria das pessoas ainda não estava disposta a trocar o livro pela tela do computador.

City of Bits foi o primeiro livro disponível integralmente e gratuitamente na Internet. Numa das partes do livro, o professor Mitchell descreve sua (estreita) relação com o correio eletrônico: “Toda manhã, sento na frente de uma máquina – que pode ser o modesto computador pessoal que tenho em casa, uma poderosa workstation em algum dos escritórios ou laboratórios que freqüento ou um laptop num quarto de hotel – e acesso meu correio eletrônico. Abro a caixa de entrada, que está repleta de mensagens vindas do mundo todo. São respostas de questões técnicas, dúvidas que devo responder, rascunhos de artigos, trabalhos de alunos, compromissos, preparativos de viagens e reuniões, um pouco de negócios, saudações, lembretes, bate-papo, conversa fiada, reclamações, dicas, piadas, namoricos. Eu digito as respostas imediatamente, depois as coloco na caixa de saída, de onde são enviadas automaticamente aos seus destinatários. Este ritual é repetido sempre que tenho um tempo livre durante o dia.”

O professor Mitchell fez do correio eletrônico um hábito em sua vida. Alguns diriam, ao invés de hábito, um vício saudável. Incorporou-o ao seu dia-a-dia, depende dele para trabalhar e se comunicar. E deve receber algumas centenas de e-mails por dia. Mas ele não é um usuário padrão. A maioria das pessoas acessa seus e-mails esporadicamente ou no máximo uma vez por dia. E, ao contrário de Mitchell, recebe e envia poucas mensagens.

Mas a tendência é que cada vez mais pessoas utilizem o e-mail e que seu uso se torne ainda mais freqüente. As pessoas lidarão com endereços eletrônicos com a mesma naturalidade com que o fazem hoje com números de telefones e endereços postais. Além disso, o correio eletrônico vem se aperfeiçoando. Já é possível enviar mensagens com voz gravada, no lugar de texto. Assim, num futuro não muito remoto, ao invés de escrever, nós iremos falar; ao invés de ler, iremos ouvir as mensagens. E isso é só o começo…

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