O amadurecimento
De Ciberespaço
Numa rede, para que os computadores se comuniquem, é necessário que “falem a mesma língua”. Essa língua é chamada protocolo. Até 1973 a Arpanet funcionava com o protocolo NCP (Network Control Protocol). Naquele ano, Robert Kahn, pesquisador da ARPA, propôs uma série de melhorias no NCP. Para ajudá-lo neste trabalho, Kahn chamou Vinton Cerf, que havia trabalhado na elaboração do NCP.
Em 1974, Kahn e Cerf publicaram o trabalho A Protocol for Packet Network Interconnection, no qual especificavam em detalhes o funcionamento de um novo protocolo proposto por eles, o TCP/IP. O TCP/IP resolvia o problema de como diferentes tipos de redes – com diferentes tipos de máquinas e diferentes sistemas operacionais – poderiam ser interconectadas.
Além de Cerf e sua equipe da Universidade de Stanford, muitos outros grupos de pesquisa começaram a implementar suas próprias versões do TCP/IP. Foi um longo período de experimentação e desenvolvimento.
No dia 1º de janeiro de 1983 foi feita a transição do protocolo da Arpanet, de NCP para TCP/IP. A mudança, planejada durante anos, foi extremamente bem sucedida. Aproveitando a transição, a Arpanet, que desde sua criação vinha sendo usada por um grande número de organizações militares, dividiu-se em Milnet – dedicada a fins militares – e nova Arpanet, para fins de pesquisa.
Outro fato importante da época foi a incorporação do TCP/IP ao sistema operacional Unix BSD, produzido pela Universidade de Berkeley. Este sistema operacional era distribuído gratuitamente e sua ampla utilização ajudou a difundir o uso do TCP/IP na comunidade acadêmica e científica. Em 1986, a National Science Foundation (NSF) [1] anunciou a criação da NSFNET, com a adoção do protocolo TCP/IP. A nova rede interligou centros de supercomputação e gerou um boom de conexões, principalmente por parte de universidades. A NSFNET tornou-se logo uma ampla rede acadêmica e o número de pontos interligados pulou de cinco mil para trinta mil. Seu crescimento foi tão expressivo que acabou englobando a Arpanet, a qual deixou de existir oficialmente em 1990. Ao mesmo tempo, instituições de um número cada vez maior de países passava a conectar-se à NSFNET.
Paralelamente à NSFNET, diversas outras redes, algumas usando um protocolo de comunicação próprio, surgiram ao longo dos anos 80 em todo o mundo. Podemos citar a Usenet (Unix Users Network), a Bitnet (Because It's Time NETwork), a CSNET (Computer Science NETwork), a EUnet (European UNIX Network), a EARN (European Academic and Research Network), a Fidonet, a Junet (Japan Unix Network) e a AARNET (Australian Academic Research Network).

